A Lição Final

6 out

“Descobri que muitas pessoas passam grande parte de seu dia preocupada com a opinião dos outros a seu respeito. Se ninguém se preocupasse com o que se passa na cabeça dos outros, todos nós seríamos 33% mais eficientes na vida e no trabalho.
Como cheguei a esses 33%? Sou cientista. Gosto de números exatos, mesmo que às vezes não consiga prova-los. Mas consideremos os 33%.
Eu costumava dizer a todos que trabalhavam em meu grupo de pesquisa: “Vocês não precisam se preocupar com o que eu penso. Bom ou rim, eu os informarei do que se passa na minha cabeça.
Alunos e colegas passaram a apreciar esse meu jeito e não desperdiçar tempo se atormentando com a idéia: “O que Randy está pensando?”. Porque, na maioria das vezes, o que eu estava pensando era que os membros de minha equipe eram 33% mais eficientes do que todos os outros. Era isso que se passava em minha cabeça.”

“Você não escolhe como as cartas vão vir à sua mão, mas pode escolher como jogá-las”. Essa é a idéia central de Randy Pausch, autor do livro “A Lição Final”. Tudo começou com uma aula de despedida na Universidade Carnegie Mellow, Pensilvânia, EUA, onde Randy leciona há cerca de 10 anos, que foi vista milhões de vezes no Youtube e inspirou Randy a escrever o livro, com a ajuda de Jeffrey Zaslow, colunista do The Wall Street Journal. O que faz um professor renomado de Ciência da Computação, casado e pai de 3 filhos  encerrar sua carreira de professor aos 47 anos? A resposta é simples: Um câncer no pâncreas foi diagnosticado em 2006 e mesmo depois de meses lutando contra a doença no ano passado Randy recebeu sua sentença de morte; iria viver apenas mais alguns meses. A luta agora não era pra sobreviver, mas para viver um pouco mais.
Randy Pausch se mostra apaixonado pela vida e por sua família. Ele bem diz, ironicamente: “Estou enfrentando um problema de planejamento”. Ele se sente “sortudo” por não morrer de uma hora pra outra e poder deixar gravações de vídeo, áudios e textos de despedida para os filhos, que por serem muito novos ainda desconhecem a situação do pai.
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Nome do Livro no Brasil: A Lição Final
Nome Original: The Last Lecture
Escrito por: Randy Pausch
Publicado no Brasil em: 2008
Editora: Ediouro
Nº de Páginas: 252
Capa original:

O Outro

28 set

“Ás vezes, ele se perguntava o que era pior: o fato de a pessoa amada ser outra com outro ou exatamente aquela com quem se partilha uma intimidade. Ou então as duas situações eram igualmente ruins? Pelo fato de que, de uma maneira ou de outra, alguma coisa é roubada – algo que nos pertence ou algo que deveria nos pertencer?”

O Outro

Após a morte da esposa, Bengt tenta se acostumar à vida solitária, desenvolvendo novos hábitos. A rotina é até reconfortante em certos aspectos: manter a casa limpa, se alimentar, verificar o correio. E justamente algo tão corriqueiro quanto buscar a correspondência será capaz de mudar sua vida para sempre.

A carta parece ser de um amigo desavisado, que não  recebeu o convite do funeral. Já ensaiando o comunicado do falecimento, Bengt abre o envelope: uma caligrafia trabalhada, assinatura de um homem, palavras de amor para Lisa, sua falecida mulher.

Será que durante todo o tempo em que foram casados, Lisa tinha um amante? Como ele nunca desconfiou? Bengt percebe que talvez os fatos não sejam o que parecem. Determinado a descobrir a verdade e a não deixar que esse incidente destrua a memória da esposa, ele começa a se corresponder com o estranho usando o nome dela.

A cada nova carta, ele se surpreende com detalhes sobre a personalidade de Lisa que negligenciou durante muitos anos. Sua generosidade, o quanto foi feliz e fez os outros rirem. As cartas do Outro são seu maior consolo, e conforme percebe o quanto têm em comum, Bengt não resiste à tentação de conhecê-lo. Quem seria o homem que sua esposa um dia amou? Quem, ou qual deles, seria o Outro?

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Nome do Livro no Brasil: O Outro
Nome Original: Der Andere
Escrito por: Bernhard Schlink
Publicado no Brasil em: 2009
Editora: Record
Nº de Páginas: 95

O Caçador de Pipas

20 set

O chão começa a parecer que faz parte do meu corpo, e a minha respiração vai ficando mais pesada, mais lenta. Quero dormir, fechas os olhos e deitar a cabeça nesse piso frio e empoeirado. Pegar no sono. Talvez, quando acordar, descubra que tudo aquilo que vi no banheiro do hotel fazia parte de um sonho: as gotas pingando da torneira e caindo com um “plinc” naquela água ensangüentada; o braço esquerdo pendurado na borda da banheira; a gilete em cima da caixa de descarga da privada, e os olhos dele ainda entreabertos, mas sem vida. Isso mais que tudo. Queria esquecer aqueles olhos.
O dr. Nawaz me explica que o menino teve ferimentos profundos e perdeu uma grande quantidade de sangue, e a minha boca começa a murmurar aquela oração de novo:
“La illaha il Allah, Mihammad u rasul ullah.”
Tiveram que fazer várias transfusões de glóbulos vermelhos…
“Como é que vou contar a Soraya?”
Foi preciso reanimá-lo duas vezes…
“Vou fazer namaz, vou fazer zakat.”
Eles o teriam perdido se o seu coração não fosse jovem e forte…
“Vou jejuar.”
Ele está vivo.

O Caçador de Pipas

O Afeganistão é uma sociedade dividida em castas. Amir era um garoto pashtun, a classe dominante. Seu único amigo era Hassan, um garoto hazara, a classe dominada. Amir foi criado sem mãe e tinha uma relação um pouco fria e formal com seu pai, apesar do grande amor que tinham entre si. Seu pai também tinha um grande carinho por Hassan.
Hassan tinha uma fidelidade extrema a seu amigo. Enfrentou Assef, um garoto afegão que nutria um ódio cego pelos hazaras, para protegê-lo. No entanto, quando tem a chance de fazer algo para compensar a lealdade de seu amigo, Amir o trai.
É aí que a coisa fica interessante. O tema principal do livro não é a amizade ou a traição. Na verdade, ele trata de um dos sentimentos mais humilhantes (e, às vezes, revoltantes) para o homem: a covardia. E esse é realmente um tema ótimo. Como o medo paralisa as pessoas e pode fazer-nos dizer ou praticar coisas que jamais faríamos em situações normais. A partir desse acontecimento, o personagem principal (Amir) começa a “afundar” em sua covardia e os acontecimentos o trazem aos “livres” Estados Unidos.
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Nome do Livro no Brasil: O Caçador de Pipas”
Nome Original: The Kite Runner
Escrito por: Khaled Hosseini
Publicado no Brasil em: 2003
Editora: Nova Fronteira
Nº de Páginas: 365
Capa original:

Preciosa

7 set

“A Srt. Rain diz que uma crítica que fazem pra A cor púrpura é que tem um final de contos de fada. Eu diria, bem, uma merda assim pode ser verdade. Às vez a vida pode melhorar. A Srt. Rain adora A cor púrpura também mas diz que o realismo também tem suas virtudes. Ismo, smismo! Às vezes quero dizer à Srt. Rain pra parar com essa coida de ismo. Mas ele é minha professora por isso não mando ela calar a boca. Não sei o que é “realismo” mas sei o que é REALIDADE, e a realidade é uma filha da puta, vou te contar.”

Preciosa

Claireece Precious Jones, 16 anos, é obesa, analfabeta e ignorada pelo mundo à sua volta. Mãe aos 12 anos, está grávida do próprio pai pela segunda vez. No Harlem, o reino dos invisíveis, dos sem-voz, ela mora com a mãe, uma mulher solitária que assiste à TV incessantemente e submete a filha à humilhações constantes. Apesar de tudo, a adolescente segue em frente com resignação, tentando contornar os problemas do dia a dia com a cabeça erguida. Quando fecha os olhos, sonha em ser uma celebridade, coberta de jóias e vestidos de luxo ao lado de um namorado bonitão.
Por causa da gravidez, é forçada a abandonar a escola – o último e precário vínculo que a ligava ao restante do mundo – e é convidada a freqüentar um centro de aprendizado alternativo. Ali, no fim da linha, está Blue Rain, uma jovem professora radical e trabalhadora. Com ela, Precious terá a possibilidade de recuperar a dignidade, descobrindo um mundo novo no qual poderá finalmente entender os próprios sentimentos e se expressar de uma maneira que nunca havia imaginado.

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Nome do Livro no Brasil: Preciosa
Nome Original: Push
Escrito por: Sapphire
Publicado no Brasil em: 2010
Editora: Record
Nº de Páginas: 191
Capa original:

Eu sou Alice

30 ago

“Você costuma sonhar,Alice?”
Olhei para ele, sem saber o que fazer. Ele queria que eu me mexesse ou respondesse? Se eu mexesse, estragaria a fotografia. Mas ele parecia tão estranho, tão perdido, como se tivesse até se esquecido de que a câmera estava ali.
“S… sim, eu sonho”, respondi lentamente, tentando impedir que a cabeça se movesse.
“E com o quê você sonha?”
“Geralmente eu não lembro, não me lembro. Às vezes sonho com animais, ou aniversários. Não me lembro mesmo.”
“Pois eu às vezes sonho quando estou acordado”, ele continuou, sem dar sinal de se dirigir à câmera; mantendo-me de pé pela força do seu olhar. “Raramente sonho à noite. Mas durante o dia… às vezes tenho dor de cabeça, Alice. N… não conte isso à ninguém, mas tenho.”
“Sinto muito.”
”Não sinta. Eu não me importo, por causa dos sonhos que tenho antes. E sabe com o que eu sonho?”
“Não, senhor”, sussurrei. Eu tinha medo de me mexer e tinha medo de não me mexer.
“Sonho com você.”

Eu sou Alice

Alice Liddel tinha 7 anos quando posou para uma foto feita pelo Sr.Charles Dodgson na segunda metade do século XIX. Trajando um simples vestido de babados, ela encontrou a liberdade. Seus pés descalços tocavam pela primeira vez a grama da universidade de Oxford, onde seu pai era reitor. E a imaginosa e espevitada menina rolava no chão aos olhos silenciosos do fotográfo. Alguma coisa naquela cena, porém, incomodava bons costumes da época. Mas o que as mentes adultas poderiam considerar, mais que um atentado ao pudor, um ato de pedofilia, para a pequena Alice, era apenas o encontro com a mais pura poesia. Ao mesmo tempo, representava o momento de maior sintonia entre ela e seu amigo mais velho, o único que sempre falou a sua língua.
Dodgson era um professor de matemática, gago, que adorava a companhia das irmãs de Liddell, cujos pequeniques ele preenchia com histórias. E foi num desses dias ensolarados, que ele contou a história de uma Alice que caíra na toca de um coelho. Nascia, assim, Alice no País das Maravilhas, um dos maiores clássicos da literatura universal, que seria assinado por Lewis Carroll, pseudônimo que a mente livre do Sr.Dodgson criou.
Eu sou Alice é mais do que a história por trás do clássico, é um romance que recria, misturando fatos e ficção, a personaldiade apaixonante de Alice Liddell, a verdadeira Alice. Muito mais que uma biografia, é o esboço do nascimento de um País das Maravilhas que, para aqueles que souberem ver além, resiste auma realidade dura e melancólica.

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Nome do Livro no Brasil: Eu sou Alice
Nome Original: Alice I have been
Escrito por: Melanie Benjamin
Publicado no Brasil em: 2010
Editora: Planeta
Nº de Páginas: 347
Capa original:

Noite Eterna – Sangue sobre Cedro

16 ago

“Abre teus olhos agora, criança. Lê com atenção o que te mostro a cada avançar da pena. Este é o marco memorável do que deixei de ser, de tudo o que deveria ter-me tornado e não consegui. O conhecimento gera responsabilidades e acarreta inúmeros males, dentre eles, o de carregar o fardo da eternidade. Aprender o que eu deveria ser não foi o mais difícil, em absoluto. Terrível foi-me, e ainda me é, saber que não pude deixar a humanidade para trás e que, por causa disso, nunca cheguei de fato a ser o que deveria. E a verdade sempre esteve lá, implícita pelas discussões, oculta pelo brilho maravilhoso das esmeraldas. Mas havia um feudo, inteiro, a construir! Havia um império a erguer, de forma que não restava-me muito tempo para pensar… ou de fato não desejava pensar em nada que não fosse na eternidade que surgia-nos à frente, na grandiosidade de sonhos outros e na esperança de que ele, um dia, seria meu.”

Noite Eterna – Sangue sobre Cedro

Com uma estrutura dividida em dois planos narrativos, Hariel D. Noone transporta o leitor para a Antiga Céltica de 2000 a.C, com sua paisagem mística e nebulosa, recortada pelos cedros imponentes, até o auge da Expansão Romana.

Um novo Império ergueu-se sobre sangue e cedro, como deveria ser. Inúmeros “Predadores”, iguais em essência, porém com “Dons” distintos, aliaram-se pela promessa de pertencer a um todo outra vez.

Em meio a traições e batalhas por influência, o leitor se depara com os bastidores da História da Humanidade, recontada por uma outra ótica, narrada por aqueles que, de fato, estiveram no controle da situação, desde o início dos tempos.

Impérios se erguem e caem… E, para aqueles que existem sem tempo ou fim, a eternidade pode ser o pior fardo, a cruz mais pesada a ser carregada.

Como não ceder à loucura de ver seu momento passar, tudo em que acredita fenecer, todos aqueles a quem se ama padecerem, imortais ou não?
Estar só e ter a eternidade para lamentar suas perdas e sentir a ausência daqueles a quem se amou.

Você acreditaria mesmo que conseguiria suportar?

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Nome: Noite Eterna – Sangue sobre cedro
Escrito por:  Hariel D. Noone
Publicado em:  2005
Editora:  Alta Life
Nº de Páginas: 254

Contos dos irmãos Grimm

14 ago

“- Espelho, espelho meu, há no mundo alguém mais bela do que eu?
O espelho respondeu:
– Sois a mais bela aqui, reafirmo, mas a jovem rainha é mil vezes mais bela.
Então a malvada soltou uma praga e ficou tão horrivelmente assustada que não soube o que fazer. Contudo não descansou: sentiu-se obrigada a ir ver a jovem rainha. E quando entrou e reconheceu Branca de Neve, ficou paralisada de apreensão e terror. Mas o príncipe mandou esquentar sapatos de ferro ao fogo com pinças em brasa e coloca-los diante dela. A rainha foi obrigada e calçá-los e dançar até cair morta.”

Contos dos irmãos Grimm

Seja por meio de livros ilustrados, desenhos animados ou até de antigos disquinhos coloridos, todo mundo conhece Branca de Neve, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e A Gata Borralheira (hoje mais famosa como Cinderela), só para citar algumas das muitas histórias dos irmãos Grimm. Nem todos, no entanto, sabem da origem e do profundo significado cultural dessas narrativas populares. Talvez seja esse o maior mérito da rica edição de Contos dos Irmãos Grimm, que traz 53 histórias acompanhadas de belas ilustrações do mestre vitoriano Arthur Rackham (1867-1939) e apresentadas pelo prefácio da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés.
No longo e precioso ensaio A terapia dos Contos, que abre o livro, a Dr.ª. Clarissa Pinkola Estés (autora de Mulheres que correm com os lobos, publicado no Brasil pela Rocco) discorre sobre a história, a moral e o simbolismo das narrativas compiladas pelos Grimm no início do século XIX. Numa época sem rádio, televisão e computador, quando mesmo a escrita era um luxo para poucos, os hoje chamados contos de fadas eram passados de geração para geração de europeus, para serem contados em família, à noite, junto ao fogo. Dependendo do narrador e da audiência, eram histórias em maior ou menor escala carregadas de sexo e violência, escatologia e sátira social.
A frase “… e viveram felizes para sempre” originalmente não se aplicava às irmãs malvadas e invejosas de Cinderela, que tinham seus olhos arrancados por pássaros no final da história. Registradas por escrito pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, as narrativas orais ganharam formato definido, contos de fadas de dez páginas com tom educativo para o público infantil, com o qual são conhecidos mundo afora até hoje. A nova edição de Contos dos irmãos Grimm, com seleção e prefácio explicativo da Dr.ª. Clarissa Pinkola Estés resulta num livro obrigatório para os apreciadores do gênero, trazendo os mais belos contos acompanhados de sua história.

Fonte

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Nome do Livro no Brasil: Contos dos Irmãos Grimm
Nome Original: Tales of the brothers Grimm
Escrito por: Dra. Clarissa Pinkola Estés
Publicado no Brasil em: 2005
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 310
Capa original: