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Contos dos irmãos Grimm

14 ago

“- Espelho, espelho meu, há no mundo alguém mais bela do que eu?
O espelho respondeu:
– Sois a mais bela aqui, reafirmo, mas a jovem rainha é mil vezes mais bela.
Então a malvada soltou uma praga e ficou tão horrivelmente assustada que não soube o que fazer. Contudo não descansou: sentiu-se obrigada a ir ver a jovem rainha. E quando entrou e reconheceu Branca de Neve, ficou paralisada de apreensão e terror. Mas o príncipe mandou esquentar sapatos de ferro ao fogo com pinças em brasa e coloca-los diante dela. A rainha foi obrigada e calçá-los e dançar até cair morta.”

Contos dos irmãos Grimm

Seja por meio de livros ilustrados, desenhos animados ou até de antigos disquinhos coloridos, todo mundo conhece Branca de Neve, Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho e A Gata Borralheira (hoje mais famosa como Cinderela), só para citar algumas das muitas histórias dos irmãos Grimm. Nem todos, no entanto, sabem da origem e do profundo significado cultural dessas narrativas populares. Talvez seja esse o maior mérito da rica edição de Contos dos Irmãos Grimm, que traz 53 histórias acompanhadas de belas ilustrações do mestre vitoriano Arthur Rackham (1867-1939) e apresentadas pelo prefácio da analista junguiana Clarissa Pinkola Estés.
No longo e precioso ensaio A terapia dos Contos, que abre o livro, a Dr.ª. Clarissa Pinkola Estés (autora de Mulheres que correm com os lobos, publicado no Brasil pela Rocco) discorre sobre a história, a moral e o simbolismo das narrativas compiladas pelos Grimm no início do século XIX. Numa época sem rádio, televisão e computador, quando mesmo a escrita era um luxo para poucos, os hoje chamados contos de fadas eram passados de geração para geração de europeus, para serem contados em família, à noite, junto ao fogo. Dependendo do narrador e da audiência, eram histórias em maior ou menor escala carregadas de sexo e violência, escatologia e sátira social.
A frase “… e viveram felizes para sempre” originalmente não se aplicava às irmãs malvadas e invejosas de Cinderela, que tinham seus olhos arrancados por pássaros no final da história. Registradas por escrito pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, as narrativas orais ganharam formato definido, contos de fadas de dez páginas com tom educativo para o público infantil, com o qual são conhecidos mundo afora até hoje. A nova edição de Contos dos irmãos Grimm, com seleção e prefácio explicativo da Dr.ª. Clarissa Pinkola Estés resulta num livro obrigatório para os apreciadores do gênero, trazendo os mais belos contos acompanhados de sua história.

Fonte

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Nome do Livro no Brasil: Contos dos Irmãos Grimm
Nome Original: Tales of the brothers Grimm
Escrito por: Dra. Clarissa Pinkola Estés
Publicado no Brasil em: 2005
Editora: Rocco
Nº de Páginas: 310
Capa original: